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Análise da Gestão e Desafios da Ponte Preta: Entrevista Exclusiva com o Presidente Eberlin
Por Redação FutPonte em 16/12/2024 13:21
Responsabilidade e o Legado de Gestões Anteriores
Marco Antonio Eberlin, atual presidente da Ponte Preta, concedeu uma entrevista reveladora, abordando a complexa situação do clube. Ele assumiu a responsabilidade pelo recente rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro, o segundo sob sua gestão, sendo o primeiro no Paulistão de 2022. No entanto, Eberlin não deixou de apontar as falhas de administrações passadas como um fator crucial para o declínio do clube. Segundo ele, a Ponte Preta foi "extremamente mau tratada nos últimos 20 anos", um período marcado por falta de preparo para competição e deterioração da infraestrutura.
Eberlin enfatiza que sua gestão chegou com o objetivo de reconstruir o clube, que "vem caindo há pelo menos 30 anos". Ele destaca que a Ponte não se preparou adequadamente para competir, ficando para trás em termos de infraestrutura, e que o clube está atualmente empenhado em recriar essa base para voltar a competir em nível de igualdade com seus rivais. Além disso, as dívidas acumuladas representam um obstáculo significativo, embora ele ressalte que o clube conseguiu encerrar o ano sem pendências salariais com funcionários e atletas.
O Peso das Dívidas e a Penhora do Estádio
O presidente da Ponte Preta revelou que as dívidas do clube ultrapassam a marca de R$ 400 milhões, englobando débitos trabalhistas, fiscais, cíveis e tributários. Ele também mencionou a delicada situação da penhora do Estádio Moisés Lucarelli, resultado de uma ação movida pelo ex-presidente Sérgio Carnielli. Eberlin lamenta que "a Ponte foi abandonada e destruída por gestões anteriores" e alerta que, se não houver investimentos em infraestrutura, o risco de novos rebaixamentos persistirá. A situação é agravada pelo fato de que "as mesmas pessoas que deixaram essa dívida nos apedrejam e querem voltar ao poder". A possibilidade de o estádio ir a leilão, caso a Ponte perca a disputa judicial, é uma preocupação constante para o clube e seus torcedores.
Análise dos Erros Internos e a Pressão da Camisa Alvinegra
Além dos problemas financeiros e estruturais, Eberlin reconhece que a diretoria cometeu erros no planejamento esportivo. Ele admite que a troca do comando técnico deveria ter ocorrido em um momento anterior, e que houve uma falha na identificação do perfil ideal de jogadores para vestir a camisa da Ponte. Para Eberlin, a "Ponte é o verdadeiro Corinthians do interior", no sentido de que a pressão sobre os atletas é muito grande. Ele explica que, além da qualidade técnica, é preciso ter personalidade forte para lidar com a cobrança do torcedor, e que muitos jogadores não conseguem assimilar essa pressão, especialmente aqueles que vieram de equipes menores.
Desafios Financeiros e a Busca por Soluções
Apesar de um problema pontual no pagamento de salários, Eberlin afirma que a Ponte conseguiu organizar suas finanças, colocando em ordem a folha de atletas e funcionários. Ele destaca que, em 2022, o clube tinha quatro meses de salários atrasados, e que a atual gestão conseguiu quitar todos os débitos, além de investir em infraestrutura. Ele menciona a reforma dos vestiários e do banco de reservas, a substituição dos camarotes do Moisés Lucarelli e a revitalização da área administrativa como exemplos de investimentos realizados. O presidente também abordou o impacto financeiro da queda para a Série C, que representa uma perda de R$ 5 milhões, mas que será amortizada com a participação na Copa do Brasil e com a venda de jogadores em 2025.
Investimentos na Base e a Visão de Futuro
Eberlin detalha os investimentos que estão sendo feitos na categoria de base, com a realocação do sub-20 para o Moisés Lucarelli e a construção de um novo CT em Jaguariúna para o sub-15 e o sub-17. Ele também ressalta a construção de três novos campos no CT do Jardim Eulina e a instalação de um novo sistema de iluminação, atendendo às exigências da Conmebol. Segundo Eberlin, "se você não fizer esses movimentos, não anda para frente". Ele reconhece que os frutos desses investimentos não serão colhidos por sua gestão, mas que o clube estará deixando uma estrutura muito melhor para as futuras administrações. Ele lamenta a "devastação total" que foi feita com a Ponte e afirma que sua maior batalha é uma "guerra silenciosa", já que não terá o reconhecimento imediato do torcedor.
A Oposição e o Futuro da Ponte Preta
O presidente Eberlin expressa sua preocupação com a oposição, que ele descreve como "mesquinha, suja e oportunista", e que se aproveita dos momentos de dificuldade para tentar voltar ao poder. Ele critica o fato de que "quem quer voltar está penhorando o estádio" e afirma que fará de tudo para impedir que essas pessoas retornem à Ponte Preta . Ele acredita que o conselho do clube deveria banir esses indivíduos, responsabilizando-os pelo estado atual da instituição. Eberlin reconhece que a responsabilidade máxima pelo rebaixamento é sua, mas enfatiza que é preciso entender como o clube chegou a essa situação, que ele atribui às "irresponsabilidades" das gestões anteriores.
Eleições e Objetivos Finais da Gestão
Em relação às eleições de 2025, Eberlin admite que pode ser o momento de outro nome do seu grupo assumir a presidência, mas garante que lutará para evitar o retorno daqueles que prejudicaram o clube. Ele destaca os objetivos para o último ano de sua gestão, incluindo a construção de três novos campos no CT e a melhoria das instalações do Moisés Lucarelli. Em sua mensagem final ao torcedor, Eberlin demonstra otimismo para 2025, pedindo que a torcida compareça ao estádio e apoie o time. Ele acredita que, com o apoio dos torcedores e um bom planejamento, a Ponte Preta poderá retornar à Série B já no próximo ano. Eberlin encerra sua mensagem com uma analogia, desejando que, "apesar do nosso mascote ser uma Macaca, que sejamos como uma fênix mais uma vez".
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