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Presidente da Ponte Preta Assume Queda, Aponta Heranças e Busca Reconstrução
Por Redação FutPonte em 16/12/2024 19:30
Rebaixamento e Responsabilidade: O Peso da Queda
O rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro marcou a gestão de Marco Antonio Eberlin na presidência da Ponte Preta, sendo este o segundo revés do tipo, o primeiro tendo ocorrido no Campeonato Paulista de 2022. Em uma entrevista concedida ao Globo Esporte, o mandatário alvinegro não se esquivou da responsabilidade pelo descenso à terceira divisão nacional. Contudo, fez questão de contextualizar o momento atual do clube, mencionando as gestões anteriores e suas consequências.
Eberlin destacou a forma como a Ponte Preta foi conduzida nas últimas duas décadas, afirmando que o clube foi "extremamente mau tratado". Ele enfatizou que sua gestão chegou com o objetivo de reconstruir o clube, que, segundo ele, "vem caindo há pelo menos 30 anos". O presidente apontou a falta de preparo para competir e a deterioração da infraestrutura como fatores que contribuíram para a crise. "A Ponte não se preparou para competir, ficou para trás na questão de infraestrutura, deteriorada, e estamos recriando essa infraestrutura para voltar a competir com nosso rivais", disse.
Dívidas e Penhora: Um Legado Problemático
O mandatário da Ponte Preta revelou que o clube acumula uma dívida de aproximadamente R$ 400 milhões, incluindo valores já reconhecidos e ações judiciais. Ele mencionou a penhora do Estádio Moisés Lucarelli como um dos desdobramentos das dívidas, ocasionada por uma ação movida pelo ex-presidente Sérgio Carnielli. Segundo Eberlin, "Nós temos o Estádio Moisés Lucarelli penhorado para um ex-presidente, se perdermos judicialmente, o estádio pode ir a leilão."
Eberlin fez questão de contrastar a situação atual com o passado recente do clube, citando que em 2022 e 2023, ele mesmo havia mencionado dívidas de R$ 250 milhões e R$ 340 milhões, respectivamente. O último balanço financeiro do clube, referente a dezembro de 2023, apontava um passivo de R$ 233 milhões. Para Eberlin, "A Ponte foi abandonada e destruída por gestões anteriores. O planejamento é para voltar ano que vem, mas se a gente não investir na infraestrutura vai continuar correndo risco de rebaixamento."
Erros de Planejamento e a Pressão da Camisa
Além dos problemas financeiros, Eberlin admitiu erros no planejamento esportivo. Ele reconheceu que a diretoria deveria ter promovido a troca do comando técnico em um momento anterior e que houve falhas na avaliação do perfil dos jogadores contratados. "Também teve algum erro nosso de planejamento, talvez deveríamos ter substituído o treinador em um outro momento", afirmou o presidente da Ponte.
Ele ressaltou a pressão que é vestir a camisa da Ponte, comparando o clube ao "Corinthians do interior" nesse sentido. Para Eberlin, além da qualidade técnica, os jogadores precisam ter uma personalidade forte para lidar com a cobrança da torcida. "Aliada à qualidade técnica precisa ter personalidade forte, pois se cobra muito aqui, e é difícil medir isso", completou.
Infraestrutura e Investimentos: O Caminho da Reconstrução
Apesar do rebaixamento, o presidente da Ponte fez questão de destacar os avanços na gestão financeira e na infraestrutura do clube. Ele mencionou que, após três anos, o clube conseguiu quitar os salários de atletas e funcionários, e que realizou investimentos em melhorias no estádio Moisés Lucarelli, como a reforma dos vestiários e camarotes. Eberlin afirmou: "Depois de três anos, conseguimos colocar em ordem a parte de atletas e funcionários, a Ponte não tem um rastro financeiro desse ano com ninguém. A Ponte é hoje um clube organizado".
O presidente também mencionou os investimentos nas categorias de base, com a realocação do sub-20 para o Moisés Lucarelli e a construção de um novo CT em Jaguariúna para o sub-15 e sub-17. Ele reforçou a importância de investir na infraestrutura para que o clube possa voltar a competir em alto nível. "Se você não fizer esse movimentos, não anda para frente. Esse ano gastamos R$ 700 mil em manutenção do campo no Moisés", disse.
A Visão para o Futuro: SAF e Eleições
Eberlin comentou sobre a possibilidade de criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF), afirmando que uma comissão foi criada para analisar essa possibilidade. Ele expressou sua preferência por um modelo de gestão que não envolva a troca da dívida pela SAF, buscando um "upgrade" para o clube antes de tomar essa decisão. "Eu não queria que a Ponte trocasse a sua dívida pela SAF, a Ponte precisa de um upgrade para fazer a SAF", explicou.
Quanto às eleições de 2025, Eberlin sinalizou a possibilidade de outro nome do seu grupo assumir a presidência, mas ressaltou que seu principal objetivo é impedir o retorno de pessoas que, segundo ele, prejudicaram o clube no passado. "Talvez seja o momento de outro nome do nosso grupo. Mas o que eu vou lutar é para não deixar quem fez o estrago no clube voltar", enfatizou.
Para finalizar, Eberlin deixou uma mensagem de esperança ao torcedor da Ponte Preta , pedindo que compareça ao estádio Moisés Lucarelli para apoiar o clube na busca pelo retorno à Série B. "Apesar do nosso mascote ser uma Macaca, que sejamos como uma fênix mais uma vez. Estamos em uma situação difícil, que o torcedor deixe de ficar na redes sociais e venha para o Moisés Lucarelli", concluiu.
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